segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Degelo no Danúbio arrasta Embarcações

A natureza está sempre pegando alguma peça, em algum lugar do mundo, à nossa autoconfiança quanto à segurança de nossas embarcações. A última é esta, no rio Danúbio, em plena cidade de Belgrado, onde o degelo liberou grandes pedaços de gelo que se movimentando livremente provocaram grandes estragos às estruturas ribeirinhas, como restaurantes, e afundaram barcos. Uma situação que traz à mente o ocorrido em São Lourenço

Vast blocks of ice, moving freely on the Danube after a sudden weekend thaw, crushed and sank dozens of boats, pontoons and floating restaurants in Belgrade on Monday, and many others - lodged in ice - were carried downstream.

Hundreds of boats and floating restaurants have been damaged by the frozen ice.

Temperatures in Serbia rose from minus 20 degrees Celsius (minus 4 degrees Fahrenheit) last week to 10C on Sunday, melting packed ice more than 30 cms (11 inches) thick, after weeks of freezing weather that has affected most of Europe.

Boats owners at the Kapetanija marina in Belgrade's picturesque Zemun neighbourhood tried to winch boats and pontoons from river, boat owner Mihailo Svilaric told Reuters.

"We are trying to salvage whatever we can, only a handful of boats remained intact from about a hundred we had in the marina," Svilaric said.

People break ice which has seized part of the Danube River, in Belgrade.

Debris was scattered among the breaking ice for more than a mile along the river and several floating restaurants, barges and boats were torn from their moorings and beached on riverbank as fast moving ice snapped anchor lines.

"The ice was so fast that we could do nothing to prevent this," said boat owner Dragan Jovanovic. "The damage will be hundreds of thousands of euros (dollars) for sure."

Serbian authorities had used icebreakers on the Danube, Sava and Tisa rivers, but the ice built up too quickly and port authorities halted traffic on all waterways on February 8. (Reuters)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Temporal na Lagoa

Para quem navega no Rio Grande do Sul, o mar é a lagoa, a grande Lagoa dos Patos.
Incontáveis são os atrativos humanos e naturais da região.
Paisagens marinhas ainda não inteiramente exploradas em toda sua riqueza.
E que podem, na iminência de um temporal no dia de hoje, nos propiciar imagens como esta, próximo à barra do arroio São Lourenço.
( foto Ruy Joaquim Westendorff Duarte)

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Congestionamento de Lanchas

Para quem ainda duvida de que as lanchas estão tomando conta das vias navegáveis, trazendo em sua invasão todo tipo de barco motorizado, sem esquecer os agressivos jetskis, esta foto é uma evidência bem expressiva.
Deve ser na hora do rush.
Mas, pelo menos, os embarcados parecem mais calmos e descontraídos do que estamos acostumados a ver com motoristas de carros.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A Vela Está Declinando?

De vez em quando surge nas rodas a discussão a respeito do declínio da vela.
Os adeptos parecem estar diminuindo, não se divisa o surgimento de novas gerações de velejadores e alguns clubes náuticos se acomodam à condição de se tornarem praticamente garagens de lanchas.
Mas este fenômeno talvez seja localizado.
E, em alguns momentos, surpreende a vitalidade que a vela apresenta.
É o caso da Giraglia Rolex Cup , na foto em sua edição de 2011.
Longa vida à vela!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Copa del Rey


Apenas para apreciar...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Iate Brasileiro

Não é um veleiro, muito menos um clássico de madeira, mas interessante para se ter uma noção de um lado do mercado náutico que, hoje, tem espaço no Brasil e, de outro, do enorme abismo que se estabelece em relação aos consumidores dentro deste mercado.
A notícia diz que se trata de um iate brasileiro, resta saber quais são estes brasileiros.
Advertimos que a tripulação que se vê na foto não está, a princípio, incluída no valor anunciado.
Veja e tire suas próprias conclusões

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Picolé de Barco

Com uma pausa na movimentação por estas águas e com o calor que faz em alguns dias, uma boa alternativa é refrescar-se com visões como esta.
É na Europa e não deixa dúvidas de que o inverno este ano não está para brincar.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Vela Brasileira na Olímpiada de Londres.

Embora a vela de competição não seja o foco do Flotilha, as implicações da participação da modalidade em uma Olímpiada sempre merece muita atenção. Transcrevemos, por isto, notícia publicado no site de notícias do Terra.
Semana de Búzios pode definir equipe olímpica na vela
01 de fevereiro de 2012
A vela brasileira pode definir, a partir de 6 de fevereiro, os primeiros nomes confirmados nos Jogos Olímpicos de Londres. Com a classificação assegurada em sete classes, os velejadores disputam a Semana Brasileira de Vela, em Búzios, no Rio de Janeiro, para confirmar a presença na equipe olímpica.
É a segunda seletiva para formação do time para Londres. A primeira foi no Mundial de Perth, na Austrália, em que o Brasil conquistou vagas nas classes 470 (feminina), Finn, Laser, Laser Radial, RS:X (masculino e feminino) e Star.
Os melhores brasileiros na Austrália somaram um ponto. Se vencerem a Semana de Búzios, garantem a classificação. Caso outro velejador empate a disputa, haverá um duelo em março, no Troféu Princesa Sofia, em Palma de Mallorca, na Espanha, para definir a equipe olímpica.
A seletiva de Búzios conta com 70 atletas, e estão programadas 11 regatas para todas as classes, exceto para a 49er, que tem 16 provas no calendário. Todos os velejadores inscritos têm chance de vaga para os Jogos de 2012.
"Após várias avaliações da área técnica, a conclusão foi que Búzios seria o local no Brasil bastante adequado para ser a sede da Semana Brasileira de Vela, que sem duvida é reconhecidamente um dos melhores locais do mundo para a prática da modalidade", afirmou o superintendente da Confederação Brasileira de Vela e Motor (CBVM), Ricardo Baggio.
Palco ideal
Búzios, no Rio de Janeiro, é um dos locais preferidos dos velejadores. O clima agradável e as condições ideais de vento e onda fazem com que a cidade se torne uma das principais do país em eventos náuticos. Além disso, a cidade foi escolhida por ter condições parecidas com as de Weymouth, na Inglaterra, que receberá as regatas olímpicas.
Ricardo Winicki, o Bimba, mora e treina na cidade. Líder do ranking brasileiro de RS:X, ele não vê vantagem em correr em casa, já que os adversários na disputa também são de lá. "A tendência para a semana são ventos fortes e ondas grandes. Caso eu me classifique em Búzios, eu vou para Inglaterra com objetivo de pódio em Weymouth".
Já com um ponto na seletiva olímpica na classe 470, a dupla Martine Grael e Isabel Swan tentará repetir o desempenho de Perth, no Iate Clube Armação de Búzios. "É um evento importante que antecede Londres. Teremos os melhores velejadores do Brasil competindo por uma vaga olímpica e com certeza serão boas regatas, já que Búzios é um dos melhores lugares para velejar no país", explicou Isabel Swan.
Líderes do ranking mundial de Star, Robert Scheidt e Bruno Prada confirmaram presença na seletiva do litoral fluminense. "Ao mesmo tempo em que estamos no início da temporada, também estamos na fase final de preparação para buscar a nossa vaga nos Jogos", destacou Prada.
Ainda há chance
O Brasil ainda tem chance de confirmar vaga nas classes 470 (masculino) e 49er. Os velejadores irão correr o Mundial das respectivas categorias. Na 470, a seletiva final será em maio, em Barcelona, com sete vagas em jogo (20 países já estão confirmados).
O Mundial 49er será em Zadar, na Croácia, no mesmo mês. Para a classe restam quatro vagas (12 países já estão confirmados). As meninas do Match Race podem conseguir a vaga na última tentativa, na Semana de Vela de Miami, nesta semana.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Velejadora colegial triunfa após batalha com autoridades

Pode-se imaginar os tipos de pesadelos que uma adolescente numa viagem solitária ao redor do mundo poderia ter: sequestros por piratas, recifes traiçoeiros ou , talvez, assustadores encontros com misteriosas criaturas do mar
Anna Holligan BBC News, The Hague
LEIA : http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-16656270

sábado, 7 de janeiro de 2012

Marcha Náutica "Caravana de los Deseos"”

A tradicional marcha náutica para receber o Ano Novo, denominada Caravana de los Deseos, realizada em Rosário, Argentina, alcançou este ano proporções gigantescas. A municipalidade estima que mil embarcações dos mais diversos tipos participaram incluindo lanchas, jetskies, botes e caiaques.
Veleiros, igualmente, estiveram presentes.
O evento, este ano, teve também a motivação de impulsionar a postulação de Rosário para sediar os Jogos Pan-Americanos de 2019. A marcha, como pode ser observado, lembra muito a Procissão de Navegantes realizada no Brasil.

Flotilha de Rio Grande rumo ao Sangradouro

Reunindo cinco barcos a flotilha constituída pelos veleiros Aragano , Spoker, Patinho, Macanudo e Gaudério passam por Pelotas a caminho do Sangradouro. Devem se juntar a outros saídos do Rio Grande Yacht Club numa velejada cujo número de participantes já não é tão comum. Na foto os comandantes Adão ( Macanudo) e Ribeiro ( Gaudério).
Enquanto conversamos vem passando o veleiro Miúra. A impressão é que o Comandante Pepe , de pé na popa, leva o barco apenas com a força do pensamento e uma pequena ajuda do vento enfunando a vela de proa .

sábado, 31 de dezembro de 2011

2012 - Rumo ao futuro, sem esquecer o passado

Segundo a legenda desta foto, pesquisada do Jangadeiros, os velejadores na foto são Gabriel Gonzales e Nelson Piccolo , navegando no Guaíba em Porto Alegre. Uma imagem que capta, num momento já distante, a magia de controlar um barco procurando dominá-lo ao vento somando às próprias forças aquelas de um parceiro. E que me parece, resgatada do passado, muito bem simbolizar o elo com o futuro selando , no encontro de gerações, um eterno pacto.
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Lagoa dos Patos

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Velejada às Capivaras

Passamos por uma quantidade enorme de redes, por sorte redes de fundos, não tocamos em nenhuma graças a Deus; todo o trajeto tendo que desviar delas, é bastante trabalho... elas dão mesmo o que fazer... (Comte.Newton - veleiro Colibri )

LEIA MAIS >>> Velejada às Capivaras

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Perda de um Velejador

Notícia recente dá conta de acidente sofrido pelo casal de velejadores Andy e Galdo do veleiro Baleeiro. O acidente teria ocorrido em Trinidad y Tobago neste final de semana a
a partir da queda do mastro da mezena do veleiro, que está no seco numa marina, sobre um fio de alta tensão.
Geraldo teve morte instântanea.
Sua companheira Andy foi socorrida e hospitalizada mas se recuperou sem sequelas.
Uma perda lamentável para a vela brasileira.

domingo, 27 de novembro de 2011

Dragagem do Arroio São Lourenço

Reproduzo texto de Geraldo Hasse a respeito da dragagem do Arroio São Lourenço. Além da importância vital para a economia da cidade a dragagem viabiliza também o acesso de veleiros que demandam o Iate Clube de São Lourenço. São Lourenço vai, assim, retomando a normalidade tão duramente atingida pela enxurrada que varreu a cidade.
Por estes dias a draga da foto começou a desobstruir o canal do arroio São Lourenço atulhado desde a enxurrada de março passado.
É uma parceria: enquanto a Superintendência de Portos e Hidrovias, dirigida por um político do PSB (o mesmo partido do vice-governador Beto Grill e do secretário de InfraEstrutura Beto Albuquerque), entrou com o pessoal e o equipamento, a prefeitura garante o combustível, 30 mil litros de óleo diesel, para a remoção de 25 mil metros cúbicos de entulho, ou seja, umas 2500 caçambas de médio porte.
A previsão é que em 30 dias os barcos de pesca e passeio possam voltar a circular como antes no canal, em cujas margens opera pelo menos um estaleiro especializado na fabricação de escunas.
Fundada há 153 anos pelo imigrante alemão Jacob Rheingantz, São Lourenço do Sul começou com um barco no qual chegaram 88 colonos. A navegação faz parte da história da cidade. Desentupir o rio é o mínimo que os governos deveriam fazer pela restauração da identidade lourenciana.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Vilas Boas Náutica na Antártida

O estaleiro Vilas Boas, de onde sairam embarcações bem conhecidas como o veleiro Passatempo e várias outras que, a exemplo do veleiro Entre Polos, singram pelo mundo , segue levando seus produtos aos mais distantes recantos. O caso mais recente é o barco de pesquisas Petrel ( foto acima ) destinado à Antártida. Dedicando-se ultimamente à construção de trawlers o estaleiro mantém-se como referência de grande importância no cenário naval brasileiro.

Veleiros Passatempo ( esq.) e Entre Polos ( dir.)











domingo, 6 de novembro de 2011

A VOR começou



A Volvo Ocean Race ( VOR), a regata de maior vulto da vela mundial, já começou. No total, são 66 velejadores de 14 países diferentes que irão competir na regata. A Nova Zelândia surge com 19 atletas, enquanto o Brasil aparece apenas com Joca Signorini - além dele, também participa o uruguaio naturalizado brasileiro Horário Carabelli ( foto abaixo) que atuará como diretor técnico da equipe da Telefonica. Esta será a terceira participação de Joca na competição, que esteve ao lado de Torben Grael em 2005-06, na equipe brasileira Brasil 1, e na equipe vencedora Ericsson 4, em 2008-0. Joca é o único integrante do time que sabe como é vencer a volta ao mundo.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Para apreciar

O veleiro Colibri está sempre surpreendendo. Desta vez é esta foto, de excepcional efeito imagético, tirada segundo me informou o Com.Newton, pelo Guto do Djali. Cenas que , doutra forma, ficariam restritas à apreciação de uns poucos privilegiados que saem a navegar por nossas águas.


domingo, 30 de outubro de 2011

Navio "Altair"

O flotilhense João Reguffe de Rio Grande descobriu esta foto do navio Altair, atualmente encalhado na praia do Cassino em Rio Grande , que, segundo diz, aparentemente é rara. A dúvida é o local pelo qual estaria passando. Hipóteses que coloca: São Sebastião, Santos ? ... Ou poderia, pergunta, ser a passagem pelo farol de Itapuã?
Nas fotos o navio na época do encalhe e, a seguinte,  ainda resistindo ao desaparecimento total constituindo-se até hoje numa referência na praia e um atrativo para os visitantes.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Quando as águas não pedem licença



Este estrago todo ocorreu em North Berwick, East Lothian, Scotland (30 Mar 2010) em consequência de marés da primavera associadas com ventos excepcionalmente fortes e ondas muito altas. Por momentos lembra o ocorrido em São Lourenço e ajuda a ter presente a força insuperável que as águas podem ter nestes momentos;

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Sailing singlehanded old Scylla Ellinor


... the double pleasure of sailing and of an old boat ... ( by means of Doryman from the original video Sailing singlehanded - 20/8/2011 - old Scylla Ellinor from Jan Eerala on Vimeo.

domingo, 25 de setembro de 2011

Passeio ao Porto do Rei

Sábado, dia 24 de setembro recebemos o convite do amigo Octaviano, para a primeira velejada no Allegro antigo Katmar . Ele nos convidou, para irmos a Ilha dos Marinheiros, precisamente no local chamado Porto do Rei...fica bem perto do Rio Grande Yate Club, um canalete com pouca profundidade, passeio ideal para pouco calado . Saímos, depois da 13.30 horas, pois leva-se no máximo uns vinte minutos ... é um belo passeio para ventos de leste oeste e nordeste .... ( Comte. Newton)
SEGUE >>> http://flotilha.blogspot.com/p/relatos.html

Na Rota da Mirim

Ancorados em Pelotas encontram-se, por algumas horas, os veleiros Adriana , Tao e Papa Terra. Os dois primeiros se dirigindo para Jaguarão, o terceiro retornando. Durante as poucas horas de contato entre as tripulações, boa conversa e troca de informações. O veleiro Tao, com o casal Ricardo e Marga, está no mar para ficar . O Adriana, do Comandante Emílio, acompanhado pelo Silvio, é um Ardillas, hoje um clássico. E do Papa Terra desembarcam Norberto Frichmann e o Comte. Heloiz ( veleiro Chap Chap) que, durante o almoço, conta histórias pitorescas do mundo náutico. Algumas ficariam bem em livro.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Yrvind


I had been away more than a year on the big boat and among the many things I had learnt was, a bigger boat doesn’t make you happier, but it cost more not only to build but also in upkeep. It is also more difficult to manoeuvre and find a place for in harbour. It shore has many advantages like speed and carrying capacity and prestige but they did not mean much for me, so weighing it al together as one has to do I understood that my values and my heart favoured the small one.
I lived in the attic of my mother’s house. Mother was glad to see me back. I told her I wanted to build a small ocean going boat and asked if I could do it in the back yard. It is always interesting to see you doing constructive work she said. The neighbours who had been a bit surprised that the good for nothing son next door had crossed the Atlantic in a converted steamboat was of the same opinion. It had been in the newspapers.
To get shelter from the weather I put up some tarpaulins between the apple trees. It did not take long before the city planner was there asking me if I had permission.
“I shall only build a small boat, then I take down the tarpaulins and go sailing” I answered.
“Have you been thinking about what would happen if everyone did like you?” He asked.
“What would happen if everyone was a town planner” I said.
follow >>> http://www.yrvind.com/my_life

domingo, 28 de agosto de 2011

Marreco 16, um Anão de Oceano

Velejada na Lagoa de Marreco - Relato do Comte.Newton
Depois de dois meses, sem navegar em função do meu coração meio pipocando, resolvi aceitar o convite do Octaviano grande amigo e tripulante do Colibri para trazer um marreco 16 de Porto Alegre a Rio Grande. Convite esse aceito na hora sem titubear, pois eu adoro esses barquinhos muito marinheiros e doceis, valentes para o mar . Octaviano acertou o negócio e ficamos de ir a Porto Alegre na segunda-feira, dia 15 de agosto. Chegando em Porto Alegre fomos direto para o barco do amigo Duduca no Iate Clube Guaiba, o veleiro Minuano ,onde ficamos acomodados até a conclusão da compra do barco. Na terça -feira, dia 16 ficou todo comprometido com as arrumações para navegação. Levamos o dia todo fazendo as coisas necessárias para aprontar o veleiro. O barco estava no Clube Jangadeiros, eram mais ou menos umas dezessete horas, quando saímos do clube em direção ao Iate Clube Guaíba com um ventinho bom de nordeste .O motor funcionou cem metros e não "quis" mais nada, mesmo tendo sido feita uma revisão pelo mecânico do Jangadeiros... pelo menos foi isso que ele falou e me disse, que barco a vela anda a vela não a motor... só lhe retruquei, que de Porto Alegre a Rio Grande tem umas boas milhas para se fazer. Resumindo, só consegui acertar esse motor no Clube Náutico Itapuã, depois de verificar as coisas que esse mecânico estragou em vez de consertar; mais dois dias comprando algumas coisas e finalmente saímos na quinta feira, às nove e trinta do Iate Clube Guaíba com o tempo nos brindando com um belo chuvisco e uma aragem de leste.
Conseguimos levar o motor trabalhando mal até perto da ilha Chico Manuel, depois não deu mais, por sorte entrou um leste mediano que nos levou até o morro do Côco, onde resolveu despertar a sua fúria e começou a soprar forte. Tiramos a genoa e o barco continuou andando na mesma velocidade; me impressionou a maneira que se comportava e orçando bem,em seguida precisamos rinzar a grande e continuou andando igual, subia e descia na onda, que valente esse anão oceânico.Chegamos no Clube Naútico Itapuã todo molhados, mas felizes por saber que o Octaviano tinha comprado um belo barco. Beleza, a lagoa não seria problema para esse barquinho, me inspirou muita confiança apesar de seu tamanho. Chegamos no clube eram umas dezessete horas e pouco depois o vento amainou, nem parecia que estava aquela "porrasca" de vento .
Fomos muito bem recebidos pelo pessoal do clube, gente boa e de bom coração .Fizemos belas amizades ,como a do Marino comandante do Bagual II, o Luiz Marasca e a Lia comandante do Tobruk. O Lála figura ilustre do clube... lá da vontade de ficar pelo menos uma semana só para conviver com esse pessoal maravilhoso .O Bira comandante da lancha Kabang. A Tina que chegou no Liberdade com seu flamante motor recondicionado e nos trinques, iriam para a Lagoa do Casamento com uns amigos .Legal mesmo é o mascote do Clube Itapuã o Crok Crok, uma garça, que vive livre e acompanha o pessoal pelo trapiche... a preguiçosa agora conta com peixe fresco que o pessoal pesca para alimentá-la, não quer mais nada o bichinho... só vida boa!
Tivemos que esperar três dias por uma janela, pois a coisa enroscou de vento e encheu a água acima dos trapiches do clube. Nós estávamos sempre com a previsão da Maria Teresa (Tete) a qual queria participar de qualquer maneira... até o último momento ficou enlouquecida para ir, mas seria muito ruim para ela pela pouca acomodação do barco .
Então a convenci de pegar vários pré-tempos e formar a previsão ,e nos passar as melhores janelas e foi perfeito. Graças a ela fizemos ao pé da letra as etapas, ela nos deu a pré para sair do Naútico Itapuã ao Cristovão Pereira direto. Teríamos ventos sul e suleste calmeirinho, então era tocar motor e vela para atravessar a lagoa, pois iria enroscar de leste suleste na terça mas ai estaríamos com abrigo de costa até passando o São Simão foi calmaria e só tinhamos que cuidar para não bater nos tocos e pedaços de árvores boiando na lagoa. Eu nunca tinha visto tanta árvore boiando na lagoa, bastante perigoso... isso só melhorou a partir do São Simão onde também entrou um ventinho de suleste e começou a puxar, mas o barco com tudo em cima rendia bem e chegamos ao pé do Cristovão Pereira eram vinte e trinta horas com uma escuridão total, o farol está só para bonito e a boia na ponta do banco também, não vimos luz nenhuma não duvido que esta boia esteja navegando por ai sem rumo .Falei para o otaviano que quando amanhecesse o farol estaria ali bem pertinho, dito e feito amanheceu com o farol em cima .
Tomamos um bom café, colocamos a roupa de chuva pois chovia e o vento era forte, mas graças a Deus estávamos do lado do abrigo de costa e ai ia render bem .Saimos junto a costa e fomos costeando até perto do farol do Capão da Marca, sem ondas e um ventinho amigo dava uma orça cochada. Do Capão da Marca fizemos rumo do Bojuru ,ai teve um pouco de onda mas o barquinho tira de letra e pela Tete poderíamos ir até a Barra Falsa onde chegamos às dezoito horas. Dali pegamos mais uma previsão onde teríamos ventos médios até as dezoito horas, depois iria enroscar forte com rajadas de trinta a trinta e cinco nós.
Fizemos o mesmo, saímos da Barra Falsa pela costa protegidos do mar e vento até perto do farol do Estreito, ai sim fizemos rumo do mangrulho ou melhor os pedaços do que foi o farol. Peguei o canal dos Antigos Veleiros fazendo o canal do Inhâme e ponta do mato na Várzea. Quando saímos do Canal da Várzea para o Canal das Capivaras, ai sim enroscou de vez muito vento, mas consegui manter a mestra em cima e puxar para a costa da Ponta Rasa, onde mesmo pertinho tinha bastante onda e muito vento. Chegamos nas Capivaras ao anoitecer e ficamos na salguinha de sempre. Ligamos para casa dando a nossa posição e a Tete disse que teríamos até o meio dia para chegar a Rio Grande, depois iria puxar de sudoeste e sul. Estávamos apenas quinze milhas de Rio Grande tudo bem, só que teriamos uma noite com muitos ventos de lesnordeste e chuva .Ali é um bom abrigo para ventos destes quadrantes, então a única coisa que tivemos que fazer foi levantar as quatro da manhã para mudar de um lado do cais para o outro... pois rondou para nordeste ai ficou melhor do lado da revessa.
Na quinta de manhã levantamos e tomamos um bom café para última etapa, chovia um pouquinho mas em seguida parou. Dai abriu um sol para iluminar nossa chegada, barco rendendo bem em popa e foi um abraço.Às onze e trinta horas chegamos no Rio Grande Yate Clube inteiros,felizes e realizados por mais uma aventura, as mulheres nos esperando com um sorriso no rosto pois sabiam que em todo o trajeto não quebramos um parafuso que fosse, nem tivemos alguma dificuldade. A gente vai aprendendo dia a dia seja qual for o tamanho do barco em que velejamos e com apoio de terra na previsão tudo fica mais fácil .E assim foi a velejada do marrequinho na lagoa ,e obrigado ao comandante Octaviano por me proporcionar esse belo passeio de inverno e parabenizálo pela ótima aquisição, e quando queira estamos pronto para mais uma dessas aventuras.
Bons ventos a todos navegadores em especial desses barcos marinheiros .
(mais fotos em http://newtonribeiro.webs.com/velejadapoarg.htm )

sábado, 20 de agosto de 2011

Veleiros na Lagoa da Conceição


A Lagoa da Conceição, inscrustada dentro da Ilha de Florianópolis, é um recanto de rara beleza. E este encanto se acentua quando os veleiros que ali se abrigam, predominantemente Oday e Bruma (foto abaixo) saem a navegar. Quem tem feito a reportagem desta atividade, principalmente regatas, é a Kriz mantendo um interessante trabalho de divulgação.
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Regata de Botes Baleeiros de Açores

Por intermédio de João Carlos Fraga, de Açores, fico sabendo da admirável Regata de Botes Baleeiros , a vela e a remos, realizada durante a Semana do Mar. Este ano a regata teve a participação de 13 botes (8 do Faial e 5 do Pico ). Segundo João Carlos Fraga, a versão açoriana destas embarcações não tem tábua de bolina, só tem quilha. Na adaptação que o modelo norte-americano sofreu, a tábua de bolina foi sacrificada para conferir mais rigidez aos botes que, entretanto, são um bocado mais compridos e esguios do que os originais. Especial atenção merece a participação, muito ativa, de tripulantes femininas. As provas são também muito acirradas, em parte talvez até por conta da rivalidade entre as ilhas. Jocosamente Fraga menciona que "quase que há murro em certas provas". Um belo exemplo da rica contribuição que as embarcações de trabalho podem trazer para a vela. As imagens, inspiradas, são do excelente fotógrafo açoriano Souto Gonçalves.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Barra Limpa ( Relato de Tau Golin)



Na última quinzena de julho, aproveitei o nível alto das águas para navegar de Porto Alegre a Palmares do Sul. Durante muito tempo, no século XX, o trajeto constituiu a primeira parte de um roteiro interessante. Um vapor saia da capital pelo Guaíba, passava o farol de Itapuã, entrando na lagoa dos Patos, contornava a ponta das Desertas, penetrava na lagoa do Casamento, ingressava na barra do rio Palmares e subia até a vila/cidade.

Naquela costa existia considerável empório. Um trem levava os passageiros e cargas até Osório. Ali, um porto conectava, através de lagoas e canais, a Torres. Com o auxílio do trem se navegava a costa por dentro do continente. Dragas mantinham a profundidade para a navegação mais pesada. Este sistema foi destruído há algumas décadas. O trem foi desativado. As dragas retiradas. Sobre os canais construíram pontes sem respeitar altura de vão para a passagem de barcos. Se ainda fosse patrimônio rio-grandense, não se precisaria de cérebro privilegiado para perceber a multiplicidade de seu uso; o turismo, por exemplo, estaria em festa.

Do porto de Palmares também ocorria o fluxo de pessoas e mercadorias pela costa litorânea para o Sul.

O trajeto de Porto Alegre a Palmares do Sul, aparentemente livre da especulação rodoviária, também foi abandonado. Inclusive a “navegação de recreio” é impossível. A causa poderia ser atribuída a falta de visão e a incompetência que deixaram à “natureza” três pontos de bloqueios: o banco do Abreu, o canal do Furado e o assoreamento da barra do rio Palmares. No verão, o calado fica em torno de um metro de profundidade. No inverno, aumenta um pouco. Neste julho de enchente, passamos com 1.90m. De qualquer forma, são trechos muito pequenos, de fundo de areia, nada que um trator sobre flutuante não solucione.

A situação de Palmares do Sul é similar a Itapuã, a Arambaré, a Barra do Ribeiro, etc. A lista é imensa. A situação de São Lourenço é exemplar. Desde a enchente que submeteu a cidade a uma tragédia, os entulhos assorearam a barra. Está com menos de um metro. Se ninguém sai, ninguém entra – pescadores artesanais, barcos de turismo e navegadores que visitavam a cidade, ou que tinham ali importante refúgio. Algo deverá acontecer também em Itapuã, em Viamão. Sua barra e entrada do rio formaram uma elevação. Caso se produza condições peculiares no tempo, aquela comunidade poderá sofrer igual problema.

O fato é que há um século o homem vem assoreando o Guaíba e a lagoa dos Patos. O mais visível é que, nas enchentes, porcos do Planalto Médio ofertam churrasquinho extra no Lami. Mas a cada chuva, toneladas de entulhos vão para o seu leito, carregados pelos grandes rios e riachos. Aquilo que é carregado pelos grandes rios precisa de remoção posterior, mas grande parte da imundície das sangas poderiam ser contidos com mecanismos simples. Mas os técnicos do Rio Grande jamais ouviram falar de sistemas de caçambas com reduções mecânicas, usados desde a Mesopotâmia e povos da Antiguidade; dos egípcios aos incas, etc. Boias de contenção deve ser algo muito complexo para se colocar nas bocas de despejos.

Entretanto, nossos sofisticados técnicos são capazes de projetar braços automatizados, em especial se depender de financiamento internacional para ser implementado. O que esperar de um serviço público que não conseguiu ainda eliminar as poças do Parque da Redenção? Um taipeiro da fronteira, com uma única pá de corte, já teria solucionado o problema.

Enquanto isso, tudo chega no pobre e moribundo Guaíba. Onde crava espontaneamente um pau ou taquareira, novo banco se forma ou aumentam os existentes. A realidade é que o rio está quase inviável à navegação. O que o homem e a natureza jogam para dentro, ninguém tira. Avançaram sobre seu leito pela margem leste; entulharam seu fundo, levantando-o. Aos poucos, obras vão eliminando seu “escape” pelo oeste. Mas o volume de água continua considerável, inclusive chegando ao seu leito em maior volume, acelerado pela pavimentação, desmatamento e todas as condições fartamente conhecidas. Senhores, levantem e aumentem o Muro da Mauá… A natureza é previsível!

No geral, nossos imensos espaços aquáticos são vítimas de políticos de pouca visão e de funcionários ineptos Graça uma doutrina de que a natureza é intocável. É o criacionismo da preguiça! A ciência demonstra que a natureza pode ser melhorada pelo homem. A tese da regeneração espontânea só tem destruído o Guaíba e a lagoa dos Patos. O que falta é, no mínimo, o governo estabelecer uma política de contenção dos fluxos de entulhos e remoção dos assoreamentos, além de implementar canais de navegação. O mais impressionante dessa estupidez: dragas que mantém o canal de navegação para navios, em especial na lagoa, não podem remover “para fora” os sedimentos; são obrigadas a espalhá-los nas partes mais fundas. Dá para acreditar?

Desde o século XVIII, se formou considerável acervo de cartas náuticas, com muitas informações, a exemplo das profundidades. Poderiam servir de parâmetros para uma política de salvamento. Parece evidente que, emergencialmente, o núcleo do poder deveria contar com uma espécie de gabinete das águas para assessorá-lo. Todo mundo apita sobre as águas, os cruzamentos e sobreposições de (ir)responsabilidades são incontáveis. A diversidade sem um centro organizador conduz à imobilidade. Um gabinete, ou grupo de trabalho, ao menos poderia iniciar os trabalhos para elaborar um “código” (ou incluindo como parte de algum existente), reunindo a legislação difusa e normas esparsas, sistematizando todas as atividades. Diante do caos das águas do Rio Grande urge que alguém assuma uma concepção de totalidade e se encarregue, de fato, da fiscalização. Onde não for sua responsabilidade e o serviço estiver acéfalo, que o faça sob autorização de convênios, em especial no meio ambiente, pesca, obras e navegação. A Companhia Ambiental da BM parece ser o órgão mais próximo da tarefa por estar presente em todo território.

No entanto, seria ridículo que mais um gabinete de trabalho postergasse as medidas emergenciais. Dentre elas, a de declarar como política de Estado a limpeza de todas as barras das cidades e vilas com vocação náutica. Voltar a situação do século XIX para ter algum parâmetro e não ficar no achismo dos discursos de preservação. Milhares de embarcações, talvez, assim tenham aonde ir. E não se precise de uma cheia para entrar na lagoa do Casamento e ir a foz do rio Palmares, águas que Garibaldi navegou para embarcar os lanchões nos carretões e levá-los até o Atlântico.

As barras limpas abrem a possibilidade dos rio-grandenses se encontrarem com a sua história. Sairmos da vexatória situação de termos um complexo exuberante de águas (Jacuí, Guaíba, lagoas dos Patos e Mirim, etc.) sem portos e sem espaços para navegar. Restam as fotos do pôr do sol…

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Um "Vertue" em Florianópolis



Em meio à visão sempre deslumbrante da ilha, observando à minha frente o Iate Clube de Santa Catarina, chama-me a atenção um veleiro clássico, pequeno ao lado de seus vizinhos mas nitidamente dotado de qualidades marinheiras, que vou descobrir pertencer ao meu amigo Luigi Faraci, pesquisador e construtor de veleiros de madeira e, atualmente, ativo vice-comodoro do Iate Clube Veleiros da Ilha.

Para se ter uma idéia construiu o veleiro Gaia, um Collin Archer, atualmente referência da escola oceânica dirigida por seu proprietário Roberto Bruno Fabiano ( http://www.veleirogaia.com.br) e restaura o veleiro Laffite outro clássico.

Conversando com o Luigi ele me esclarece que o veleiro que me chamou a atenção é o Madonna e se trata de um Vertue, classe de grande prestígio.

Segundo uma fonte "The Vertue class yachts are the finest cruising boats of their tonnage ever built. In this design Laurent Giles developed all that was best in the traditional English pilot boat. The result is a really seaworthy modern yacht with a performance under sail which could never have been approached by her forebears. Over 130 Vertues have made long ocean voyages: Humphrey Barton's famous 'uphill' crossing of the Atlantic in Vertue XXXV (1950), Dr, Joe Cunningham's round voyage, England - West Indies - Newfoundland - Ireland in Icebird (1952-3), Peter Hamilton's voyage from Singapore to England in Speedwell of Hong Kong, in Salmo to Quebec, Panama, Tahiti and California; and in 1960 David Lewis sailed Cardinal Vertue in the single-handed race from Plymouth to New York, and returned in her to Shetland.

Este " anão de oceano", na realidade um gigante, vem sem dúvida enriquecer a flotilha de clássicos de Santa Catarina e dar um incentivo à idéia da criação de uma entidade com o objetivo de preservar e restaurar veleiros de madeira(foto Giacomo Orlando)